Assim na Terra como no Céu
Um das mais eficientes formas de expor um produto mostrando seu uso, suas características e atributos é o merchandising usado em programas de TV. A história de hoje envolve uma combinação de telenovela, vida espiritual e o mundo da moda. Anos atrás, quando vim para Belo Horizonte, após alguns anos trabalhando no Sul de Minas, trabalhei com marketing de moda em duas confecções de produtos bem distintos. A primeira era uma marca de jeans, para público jovem, a outra uma linha de roupas sociais finas femininas.
Em comum o fato das duas enviarem peças de suas coleções para vestirem personagens de novelas. Um merchandising indireto, pois não existe citação do produto, mas poderoso, pela exposição a milhões de pessoas diariamente no horário nobre. Na segunda confecção, estavam iniciando os contatos para compor o figurino de duas personagens da próxima novela das 7, “A Viagem”, reprisada recentemente, cujo tema era a vida espiritual. As roupas eram para vestir a protagonista Diná (Cristiane Torloni) e sua irmã(Lucinha Lins).
Num dado momento da trama, alguns personagens morrem e se encontram além da vida física. Como toda novela, havia um par romântico. Com o diferencial que eles morriam e se encontravam depois, lá no andar de cima. Otávio(Antonio Fagundes) morria, passavam-se alguns meses e em seguida era a vez de Diná. A proposta do roteiro era de que não havia muita diferença entre o mundo dos vivos e o mundo dos espíritos, sendo um a continuação do outro. Seguindo esta orientação, na vez da protagonista morrer, ela continuou com a mesma roupa que estava usando em vida. A tendência daquela coleção(inverno), eram conjuntos lisos, largos, em tecidos leves, de tons pastéis. A roupa era perfeita, combinava com a visão de paraíso que o cenário oferecia ao telespectador. Além de qualquer uso imaginado pelo estilista. Nos meses que se seguiram até o final da novela, Diná continuou com a mesma peça de roupa, sendo necessário enviar mais peças para abastecer o figurino. E reabastecer por várias vezes as lojas que revendiam a marca, esgotando o estoque de peças da coleção, ultrapassando em muito as metas mais otimistas de vendas. Ficou provado para o mercado da moda que para algumas roupas existe vida além da coleção.
É verdade que desta vida nada se leva, mas pelo menos na ficção a personagem teve direito a um conjuntinho básico.

Postado em dezembro 15th, 2006 por iZIP - MÃdia Colorida
Categoria: Colunistas |






Rsrsr… essa foi boa… mas vamos pensar um pouco.. seguindo esse raciocínio, deve ter muita gente com uns modelitos meio fora de moda.. do lado de lá… affff
bj Ricardo, adorei!!!!!!
Olá Debora,
Pois é, o mundo espiritual deve ter todos os estilos de roupas
desde o início dos tempos. Mas vamos lembrar que, também seguindo este raciocínio, já foram muitos estilistas para o andar de cima. De modo que ainda devem estar criando moda além de qualquer tendência imaginada por nós mortais.
Apareça sempre por aqui,
Abração,
Ricardo