Feeling
“Meu sobrinho faz”. Só quem já ouviu tal sentença sabe o desgosto ter todo o tempo de estudo, dedicação e conhecimento rebaixados a habilidade técnica de um sobrinho!
Certo! O sobrinho faz! Mas nem sempre resolve. È obvio que quando se tem graduação, quase todo trabalho é bem sucedido, mas não é difícil encontrar profissionais autodidadas ( e muitos sobrinhos ) que realizam trabalhos muitas vezes deveras melhor que profissionais graduados, formados e reformados. Principalmente no que diz respeito a processos criativos.
Técnica, por definição é o procedimento ou o conjunto de procedimentos que têm como objetivo obter um determinado resultado. Se a expressão me permite especular, técnica é o equivalente e um programa de pré-determinado de procedimentos, um trilho pelo qual percorrem os processos de um trabalho.
O que muitas vezes ocorre, é um foco unidirecional para os processos técnicos provocando uma certa negligencia criativa. Os sobrinhos e profissionais autodidatas que se destacam, muitas vezes o fazem, justamente por não serem tão técnicos e por isso não tem a criatividade viciada nem limitada ampliando sua capacidade de percepção acerca do que esta criando. Ou seja, eles tem “Feeling”, mais sensibilidade para perceber o que deve ser feito e o momento certo de cada coisa.
Certa vez meu professor de desenho técnico, quando perguntei se havia alguma norma para definir uma questão do desenho, me respondeu o seguinte: “Isaque, isso é determinado pelo o que salva o designer… O bom senso”. Os processos criativos devem se utilizar das técnicas e não se subjugar a elas. Muitas vezes criar significa subverter algumas técnicas e meios, quebrar algumas regras e se opor a certas linhas de pensamento. Mas para que tudo isso tenha bons resultados é necessário ter sensibilidade pra saber quando e o quanto cada coisa será bem aplicada.
Esse bom senso e sensibilidade de percepção deve ser o “feeling que todo Profissional precisa ter aliado as técnicas e o conhecimento para não perder campo pra nem um sobrinho, e resolver bem os trabalhos que realiza.
Deus abençõe a todos, até uma próxima.

4 Comentários
Gostei muito do texto, um dos poucos que trata a questão de forma respeitadoras. Então ler algo que reconhece que há espaço pra todo mundo e que os “sobrinhos” tão na área muitas vezes, e isso não necessariamente os pões como inferiores foi dez. Bem sensato, quero agradecer pois textos assim faz jus a blogsfera. Grato.
Izip,
Show de texto. Existem muitos SOBRINHOS por aí…A percepçao e a sensibilidade nao é a mesma que a nossa, que somo preocupados com a formaçao e principalmente com o problema ou oportunidade que se apresenta pelo cliente.
Uau!
O texto abre espaço para uma discussão muito mais importante que apenas o “feeling” da maneira que foi citado e comentado.
O autor foi muito feliz em reconhecer que pessoas que não são formadas podem e têm boas idéias. Mas sabe porque?
A criatividade não é exclusividade de nenhuma área profissional. Não existe nenhuma escola de nenhum curso que tenha criatividae como disciplina. Assim como também não existe nenhuma garantia de que se você cursar uma escola será mais criativo por isso. Criatividade não se ensina, mas se aprende.
Só que é um auto-aprendizado.
Depende de nosso esforço e interesse próprios descobrir o que nos move a pensar melhor, quais caminhos nos motivam a atingir resultados realmente criativos.
muitas pessoas hoje em dia se limitam, apenas, no que aprendem.
poucas juntam o útil ao agradável, literalmente.