Goiababa

Um fabricante da indústria alimentícia no começo dos anos 60 estava lançando uma marca nova de goiabada. Parte da estratégia de lançamento deste produto iria utilizar como canais de distribuição uma novidade que começava a tomar conta do país, os supermercados.

Haviam planejado uma grande campanha publicitária nos principais meios de comunicação da época: revistas, jornais e rádios. Anúncios finalizados e aprovados, logomarca e embalagem criadas e aprovadas. Uma curiosidade: As embalagens de doces ainda não eram enlatadas. Os doces eram embalados e depois acondicionados em simpáticas caixinhas de madeira clara, e colados na madeira vinham por último os rótulos.

Todo o lançamento estava aguardando que os rótulos ficassem prontos, para serem colados
nas caixas, e transportados aos supermercados, padarias e mercearias. A outra parte da estratégia era primeiro abastecer os pontos de vendas e depois, certos de que os consumidores encontrariam o produto, anunciar e esperar pelos resultados.

Naquele momento o rótulo era a principal peça de toda a campanha.
O fabricante combinou com a gráfica que à medida que os milhares de rótulos ficassem prontos, fossem colados nas caixas ali mesmo, diminuindo o tempo e o trabalho de ter de transportá-los e colar em outro lugar. Começaram a chegar os caminhões com as milhares de caixinhas de goiabada. Aguardando a chegada destes já haviam sido impressos os primeiros milhares de rótulos. As caixinhas começaram a ser descarregadas dentro da gráfica em uma área reservada para a colagem dos rótulos. Um dos carregadores, fazendo o caminho de volta para buscar mais caixinhas, parou em frente aos rótulos, olhou por algum tempo, se inclinou e olhou mais de perto. Pegou um dos rótulos e perguntou pelo gerente. O gerente estava acompanhando o descarregamento das caixinhas e viu quando o carregador parou e ficou olhando com espanto para os rótulos, até que pegou um deles.

- Sou o gerente, o que o senhor deseja?
- Olha, eu sei que não é da minha conta, mas queria perguntar uma coisa para o senhor.
- É sobre os rótulos, não é?
- Sim senhor.
- Pode perguntar.
- Como é que se escreve “GOIABADA”?
- Como é que é?
- Olha meu senhor, eu não sou analfabeto não. É que tem uma coisa esquisita no rótulo. Dá uma olhada o senhor mesmo.

E tinha mesmo. O motivo do desconcerto do carregador era que ao invés de “GOIABADA”, ao ler encontrou “GOIABABA”. Achou aquilo tão estranho que precisava ter certeza de que não era confusão sua. A palavra estava mesmo errada, e pior, este “detalhe” tinha passado despercebido por todos, desde o fabricante, a agência de propaganda, e pelo pessoal da gráfica. A observação de um carregador, cuja atribuição de maneira alguma era revisar impressos, foi o que salvou esta marca de um desastre. Os caminhões iriam partir da gráfica para todas as partes do país, entregando a “GOIABABA”. Era melhor nem imaginar as conseqüências para o produto, que ficaria desacreditado perante os consumidores. O cliente foi avisado, os rótulos reimpressos e corrigidos, foram cumprir sua função. O produto se estabeleceu no mercado, e ainda hoje pode ser encontrado no supermercado mais próximo de sua casa. Com a diferença de hoje estar acondicionado em lata. Como conheci esta história? O próprio gerente, já passados muitos anos, aposentado, me contou. Após uma vida inteira de trabalho em Sampa , resolveu se mudar para uma dessas tranqüilas cidadezinhas do interior de Minas. Onde pude conhecê-lo e registrar esta pérola.

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6 Comentários para “Goiababa”

  1. Adorei o artigo!
    Abraço grande da
    Carol

  2. muito bom o artigo!
    faz a gente pensar muito sobre o papel que temos em uma instituição…

    abraços
    antonio

  3. Seu artigo está mt bom!!! Com certeza ainda teremos mts outras ‘perolas’ como essa para ler!!!

  4. Obrigado Carol,
    Apareça sempre por aqui.

  5. Obrigado Antonio Celso,

    Muitas vezes o óbvio só pode mesmo ser enxergado por aqueles que estão fora da situação ou do ambiente.

  6. Obrigado Débora,

    Pode ter certeza que existem muito mais pérolas como essa
    aguardando para serem publicadas aqui.

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