Plante feijão no pote de Danoninho
Eu já passei por muitas situações onde tive que tomar decisões muito difíceis. Uma vez, aos dez anos, quebrei um vaso sanitário de casa ao jogar um pote de Danoninho dentro dele. Meu pai, nervoso, entrou no meu quarto e perguntou para mim e para meus irmãos quem tinha jogado aquele objeto. Fiquei pensando no que deveria fazer. Contar ou não?
Fiquei calado. Sabia que, pela lógica, um menino de dez anos já tinha discernimento suficiente para entender que isso era errado, enquanto uma menina de sete e um garotinho de seis ainda não. Meus irmãos ficaram com toda a culpa.
Nesta semana, vivenciei uma situação um pouco mais adulta e igualmente complicada. Como disse no texto anterior, estou rodando minha pasta no mercado. Uma pessoa interessada em meu trabalho me enviou um e-mail pedindo mais peças e a tão famosa pretensão salarial.
Eu já havia mostrado todas as minhas peças, mas fazer outras não davam muito trabalho. O grande problema era quanto eu deveria pedir. Nesse momento, me transformei em vidente, tentando entender o que a pessoa do outro lado do computador estava pensando, e em economista, analisando se o preço que cobrava seria adequado ao tamanho da empresa, mesmo sem conhecê-la, e ao meu orçamento, para não aumentar ainda mais o buraco no banco.
O cerne dessa questão é o seguinte: não podemos nem nos desvalorizar nem nos supervalorizar. E eu não conheço nenhuma “regra de três que resolva essa equação, mas posso ter faltado demais nas aulas de matemática do ginásio e nas aulas de economia da faculdade.
Pensei até em criar, inspirado no polêmico BV (Bonificação por Veiculação), algo como uma Bonificação por Resultado da Criação (BRC). Meu salário seria proporcional ao resultado das campanhas que eu criasse. Antes mesmo de amadurecer a idéia, percebi que daria na mesma: de quanto seria essa bonificação e em relação a quê?
No final das contas, percebi duas coisas: que hoje eu assumiria a culpa pelo Danoninho, mesmo sabendo que às vezes é mais fácil colocar a culpa nos outros, e que é muito difícil acertar na pretensão sem ser pretensioso, principalmente quando a árvore do dinheiro seca.

Postado em setembro 22nd, 2006 por iZIP - MÃdia Colorida
Categoria: Colunistas |






Só não pode ter medo de pedir o que você acha que merece. Por tudo que estudou, que pode fazer…
Se a empresa não tem condições de te sustentar o problema é com ela…